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Nutrição na terceira idade: Deficiências silenciosas e como combatê-las

Envelhecer bem tem muito a ver com o que se come, mas também com o que o organismo consegue absorver. De acordo com o doutor Yuri Silva Portela, essas são dimensões diferentes, e a segunda costuma ser ignorada. A partir dos 60 anos, o sistema digestivo sofre alterações profundas que comprometem a biodisponibilidade de nutrientes essenciais, mesmo quando a alimentação parece adequada. O resultado são deficiências silenciosas que afetam ossos, músculos, sistema imunológico e cognição antes mesmo de se manifestarem clinicamente.

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Por que o corpo idoso absorve menos nutrientes?

A produção de ácido clorídrico no estômago declina com o envelhecimento, prejudicando a digestão de proteínas e a absorção de vitamina B12, ferro e cálcio. A mucosa intestinal também sofre atrofia progressiva, reduzindo a superfície de absorção disponível. Como explica Yuri Silva Portela, esses processos ocorrem de forma gradual e sem sintomas evidentes, tornando difícil para o idoso e para sua família perceber que algo está errado.

A vitamina D merece atenção especial. Sua síntese cutânea, estimulada pela exposição solar, cai drasticamente com o envelhecimento da pele. Simultaneamente, a capacidade renal de converter a forma inativa da vitamina em sua forma ativa também se reduz. O resultado é que idosos apresentam deficiência de vitamina D com frequência alarmante, mesmo em países com alta incidência solar como o Brasil, gerando impactos diretos na absorção de cálcio e na saúde óssea.

O zinco, mineral fundamental para a imunidade e a cicatrização, tem absorção comprometida por competição com outros minerais e pela redução da secreção pancreática. Segundo Yuri Silva Portela, a deficiência de zinco está associada a maior suscetibilidade a infecções, retardo na cicatrização de feridas e comprometimento da função cognitiva, todos problemas que afetam a qualidade de vida do idoso de forma concreta.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Quais nutrientes merecem maior atenção após os 60 anos?

As proteínas ocupam posição central na nutrição do idoso, elucida Yuri Silva Portela. A partir dos 65 anos, o organismo passa a exigir maior ingestão proteica para manter a mesma quantidade de massa muscular, fenômeno relacionado à resistência anabólica. Idosos que consomem pouca proteína perdem massa muscular com maior velocidade, o que aumenta o risco de quedas, fraturas e perda de independência funcional. A recomendação atual é de pelo menos 1,2 gramas de proteína por quilo de peso corporal por dia.

O cálcio e o magnésio trabalham em conjunto para a saúde óssea e muscular. O magnésio, frequentemente esquecido, é cofator de mais de 300 reações enzimáticas no organismo e participa diretamente da regulação do ritmo cardíaco, do controle da pressão arterial e do metabolismo da glicose. Sua deficiência, comum em idosos, raramente aparece nos exames de rotina porque o organismo mantém os níveis séricos à custa do que retira dos ossos, comenta Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria.

O ômega-3, presente em peixes de água fria, linhaça e chia, tem papel anti-inflamatório sistêmico e efeito protetor documentado sobre o cérebro. Sua ingestão regular está associada a menor risco de depressão, demência e doenças cardiovasculares em idosos. Apesar de seu valor terapêutico, esse nutriente está ausente de forma crônica na alimentação da maioria dos brasileiros acima de 60 anos.

Estratégias práticas para melhorar a nutrição do idoso

Fracionar as refeições em cinco ou seis momentos menores ao longo do dia melhora a digestão e a absorção de nutrientes sem sobrecarregar o sistema digestivo. Incluir uma fonte proteica em cada refeição, como ovo, queijo, leguminosas ou carnes magras, distribui o aporte proteico de forma mais eficiente. Pequenas adaptações no preparo, como alimentos mais macios para idosos com dificuldade de mastigação, mantêm o valor nutricional sem comprometer a aceitação.

Por fim, como destaca o doutor Yuri Silva Portela, a hidratação é uma emergência silenciosa. A sensação de sede diminui com a idade, e o idoso pode estar cronicamente desidratado sem perceber. Oferecer água regularmente, incluir sopas, caldos e frutas com alto teor de água na dieta e observar sinais como urina escura ou confusão mental são medidas básicas que fazem diferença na saúde diária.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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