Amapá bate recorde de conectividade e chega a 95,3% dos lares com acesso à internet
Levantamento do IBGE mostra que quase 240 mil residências amapaenses já estão conectadas, impulsionadas pela expansão da fibra óptica na Amazônia.
O Amapá alcançou um novo patamar na inclusão digital. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 95,3% dos domicílios do estado já contam com acesso à internet, o equivalente a cerca de 240 mil residências conectadas. O número representa um avanço de 1,8 ponto percentual em relação a 2024 e coloca o Amapá entre os estados que mais cresceram em conectividade nos últimos anos, um resultado que caminha lado a lado com a chegada de novas rotas de fibra óptica subfluvial à região amazônica.
A marca alta chama atenção porque contraria a imagem de isolamento digital associada a estados da Região Norte, cortados por rios e florestas. A dúvida que fica para o leitor é como um estado com tantos desafios de logística conseguiu ampliar tanto o acesso à internet, e o que essa conectividade representa na prática para quem mora em Macapá, Santana ou nos municípios do interior.
O que revelam os números do IBGE
De acordo com o levantamento, a banda larga fixa segue em expansão no Amapá e já está presente em 91,1% dos domicílios do estado, um indicador que reflete diretamente a chegada de infraestrutura de fibra óptica a regiões antes dependentes de conexões instáveis por rádio ou satélite. Já o uso da banda larga móvel apresentou uma leve retração de 2,2 pontos percentuais, chegando a 83,6% das residências, movimento que os técnicos atribuem à migração de parte dos usuários para conexões fixas de melhor qualidade, agora disponíveis em mais localidades. O celular segue como o principal meio de acesso à internet entre os amapaenses, repetindo um padrão observado em todo o país, onde 98,7% dos usuários navegam por meio do smartphone.
Esses números não surgem isoladamente. Eles acompanham um ciclo recente de investimentos em infraestrutura digital na Amazônia, coordenado pelo Ministério das Comunicações por meio do programa Norte Conectado, que já entregou ao Amapá a chamada Infovia 03, uma rota de quase 800 quilômetros de cabos de fibra óptica instalados no leito de rios amazônicos, ligando Macapá a Belém. Com a nova estrutura, o pacote máximo de internet oferecido pelas operadoras na capital amapaense passou de 1 Gbps para 2 Gbps, e a rede ganhou uma segunda rota de tráfego de dados, o que reduz o risco de quedas de conexão em caso de falha em um dos trechos.
Como a infraestrutura de fibra óptica muda a rotina da população
A expansão não se limita à capital. O programa Norte Conectado prevê nove infovias, somando 13,2 mil quilômetros de cabos de fibra óptica submersos, atendendo a mais de 70 localidades distribuídas entre Amapá, Pará, Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, com benefício direto a cerca de 7,5 milhões de pessoas na região amazônica. No Amapá especificamente, o Ministério das Comunicações também ampliou a cobertura de sinal de celular em 17 localidades de nove municípios, entre eles Calçoene, Oiapoque, Mazagão e Porto Grande, beneficiando cerca de 15 mil pessoas que antes enfrentavam falhas constantes de cobertura.
Além da infraestrutura de rede, o governo federal tem investido em capacitação tecnológica no estado, com um aditivo de 5 milhões de reais destinado ao programa Computadores para Inclusão, que já formou centenas de jovens e adultos no Centro de Recondicionamento de Computadores da Universidade Federal do Amapá. Escolas públicas também têm sido priorizadas dentro da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, que já ultrapassou a marca de 100 mil unidades conectadas em todo o país, incluindo instituições no Amapá. Para o setor produtivo local, o avanço da conectividade abre caminho para serviços como telemedicina, bancarização digital e acesso mais rápido a plataformas de comércio eletrônico, historicamente limitados pela instabilidade do sinal em municípios distantes da capital.
O que ainda falta para a conectividade plena no estado
Apesar do avanço expressivo, o índice de 95,3% ainda deixa de fora uma parcela da população amapaense, concentrada principalmente em comunidades ribeirinhas e áreas rurais mais afastadas dos grandes centros urbanos. O cronograma do Norte Conectado prevê a entrada em operação de outras infovias ao longo deste ano, o que deve ampliar ainda mais a cobertura nos próximos meses. Especialistas do setor de telecomunicações apontam que a ampliação da concorrência entre provedores locais, viabilizada pela nova capacidade de rede, tende a reduzir o custo dos pacotes de internet para o consumidor final, um efeito que já começa a ser sentido em municípios como Afuá, no vizinho estado do Pará, atendido pela mesma infovia.
O crescimento da conectividade no Amapá mostra que investimentos coordenados em infraestrutura digital conseguem alcançar até as regiões mais isoladas da Amazônia, desde que sustentados ao longo de vários anos consecutivos. A tendência, segundo os próprios responsáveis pelo programa Norte Conectado, é que o índice de domicílios conectados continue subindo enquanto novas infovias entram em operação. Para a população amapaense, o resultado prático deve aparecer em serviços de saúde, educação e comércio cada vez mais dependentes de uma internet estável, o que reforça a importância de acompanhar os próximos números divulgados pelo IBGE.
Fontes consultadas:
IBGE, via ac24horas · Ministério das Comunicações · Diário do Amapá



