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Rodrigo Balassiano aponta o setor de turismo como nova fronteira do crédito estruturado na ID CTVM

Reservas antecipadas de hospedagem e pacotes corporativos de viagem, cujo pagamento costuma ocorrer meses antes da efetiva prestação do serviço, despertam interesse de fundos estruturados voltados a antecipar recursos para redes hoteleiras e operadoras de turismo

O setor de turismo e hotelaria opera com uma dinâmica de recebimento particular: parte relevante das reservas, sobretudo as vinculadas a pacotes corporativos, eventos e temporadas de alta procura, é paga com meses de antecedência em relação à data efetiva da hospedagem ou da viagem. Essa característica cria, para redes hoteleiras e operadoras de turismo, um fluxo de caixa que nem sempre acompanha o calendário de despesas operacionais, como manutenção de infraestrutura, contratação sazonal de pessoal e reposição de insumos, especialmente em períodos que antecedem a alta temporada.

Fundos de investimento em direitos creditórios lastreados em contratos de reserva antecipada surgem como alternativa para equalizar esse descompasso, permitindo que redes hoteleiras e operadoras de turismo antecipem parte da receita já contratada, mas ainda não efetivamente recebida, junto a um fundo estruturado.

Sazonalidade turística concentra o risco em janelas específicas do ano

Menos previsível do que o fluxo de receita de outros setores da economia real, o turismo está sujeito a variações sazonais acentuadas, influenciadas por fatores como calendário de feriados, eventos corporativos e condições climáticas em destinos específicos. Um fundo lastreado em recebíveis desse setor precisa acompanhar de perto o histórico de ocupação de cada rede hoteleira ou operadora, de forma a dimensionar com segurança o volume de recursos que pode ser antecipado sem comprometer a capacidade de pagamento do cedente em períodos de menor movimento.

Para Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, essa sazonalidade acentuada exige um administrador fiduciário atento às particularidades operacionais do setor de turismo.

“O fluxo de recebíveis de uma rede hoteleira ou de uma operadora de turismo tem picos e vales muito mais pronunciados do que o observado em outros setores que já financiamos por meio de FIDCs. É fundamental que a estrutura do fundo reflita essa sazonalidade, evitando que o cronograma de antecipação de recursos pressione o fluxo de caixa do cedente justamente nos períodos de menor ocupação”, avalia o executivo.

A ID CTVM atua como administradora fiduciária e custodiante de fundos estruturados voltados a diferentes segmentos da economia real, o que inclui operações lastreadas em recebíveis do setor de turismo e hotelaria, aplicando a esses ativos processos de conciliação e auditoria de lastro adaptados à dinâmica sazonal característica do setor.

Cancelamentos e reembolsos exigem monitoramento específico

Assim como ocorre em outros setores nos quais o pagamento antecede a efetiva prestação do serviço, a estruturação de um fundo lastreado em reservas de turismo precisa considerar o risco de cancelamento por parte do consumidor final, evento que pode gerar obrigação de reembolso total ou parcial do valor já recebido pela rede hoteleira ou operadora. Políticas de cancelamento mais rígidas, com prazos definidos e percentuais de retenção em caso de desistência, tendem a reduzir a volatilidade do fluxo de recebíveis elegível a esse tipo de estrutura.

Redes hoteleiras com presença em múltiplos destinos e operadoras que atendem tanto o público de lazer quanto o corporativo tendem a apresentar um fluxo de recebíveis mais equilibrado ao longo do ano do que empreendimentos concentrados em um único destino ou perfil de público, fator que também entra na avaliação de risco de cada operação.

Plataformas de reserva digital simplificam a conciliação de recebíveis

A crescente digitalização das reservas de hospedagem, hoje concentradas majoritariamente em plataformas eletrônicas próprias das redes hoteleiras ou em intermediários especializados em turismo, contribui para facilitar o processo de conciliação entre o valor reservado e o valor efetivamente cedido ao fundo estruturado. Sistemas integrados de gestão hoteleira, que registram em tempo real cada nova reserva, seu status de confirmação e eventuais alterações de data ou cancelamento, permitem que administradores fiduciários acompanhem com mais precisão a evolução da carteira de recebíveis ao longo do tempo, reduzindo a dependência de processos manuais de checagem que ainda predominam em outros setores da economia real com menor grau de digitalização.

Perspectivas para o crédito estruturado no setor de turismo

Com o turismo brasileiro mantendo trajetória de recuperação e redes hoteleiras e operadoras de médio porte buscando alternativas de capital compatíveis com a sazonalidade de seu fluxo de caixa, a tendência é que operações de crédito estruturado lastreadas em recebíveis desse setor ganhem espaço complementar dentro da indústria de FIDCs. Para administradores fiduciários especializados nesse tipo de operação, compreender a dinâmica sazonal do turismo deve seguir como um fator relevante para sustentar a confiança de investidores nesse segmento em expansão da economia real. Habilitada pela Comissão de Valores Mobiliários e pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais para atuar em administração fiduciária e custódia qualificada, a ID CTVM soma a esse novo segmento a mesma experiência técnica já aplicada em fundos voltados a outros setores sazonais da economia real, como o agronegócio.

Sobre a ID CTVM

A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

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