Amapá ganha primeira fábrica de cimento e reduz dependência de produto vindo de fora
Empreendimento de R$ 120 milhões da Cimento Forte, em Santana, vai gerar até 900 empregos e abastecer também Pará e Amazonas.
O Amapá vai ter, pela primeira vez em sua história, uma fábrica própria de cimento. O governador Clécio Luís acompanhou o início das obras da unidade da Cimento Forte, instalada às margens do Rio Matapi, no município de Santana, em uma área de mais de 14 hectares. O empreendimento, ligado à Companhia Brasileira de Materiais de Construção, representa um investimento de 120 milhões de reais e deve gerar centenas de empregos diretos e indiretos ao longo das fases de montagem e operação.
A chegada de uma indústria desse porte a um estado historicamente dependente da importação de insumos básicos levanta uma questão natural para quem acompanha a economia amapaense: por que uma fábrica de cimento é tratada como um marco tão relevante, e o que essa mudança significa para o custo da construção civil no estado e para a integração do Amapá com o restante da Amazônia.
Por que a fábrica é considerada um marco para a economia local
Até a chegada da Cimento Forte, todo o cimento consumido no Amapá vinha de fora do estado, o que encarecia o produto final para construtoras, prefeituras e consumidores. Segundo o diretor-presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá, Wandenberg Pitaluga, a nova indústria representa um marco divisório para o estado, já que passa a otimizar um custo que antes era repassado integralmente ao mercado local. A planta terá capacidade para produzir 600 mil toneladas de cimento por ano, com um moinho de 90 toneladas por hora e operação totalmente automatizada, segundo dados divulgados pelo governo estadual.
O empreendimento foi atraído ao Amapá por meio de incentivos fiscais e por um ambiente considerado favorável em termos de segurança jurídica, política e ambiental, segundo o governo estadual. O presidente da Cimento Forte, Eduardo Henrique, afirmou que a empresa, que já opera havia dez anos em Pernambuco, escolheu o Amapá pela logística e pela oportunidade de mercado, já que o produto poderá ser escoado pelo Porto de Santana tanto para abastecer o consumo local quanto para exportação a estados vizinhos. A expectativa é que 30% da produção abasteça Macapá, Santana e municípios próximos, enquanto os outros 70% sejam destinados a outras regiões do Amapá e a estados como Pará e Amazonas.
Geração de empregos e efeitos na cadeia da construção civil
De acordo com o governo do Amapá, a obra deve gerar cerca de 500 empregos diretos durante a fase de montagem dos equipamentos, um número que se soma aos 85 postos de trabalho diretos e indiretos já criados na etapa inicial da instalação, conforme dados mais recentes divulgados em julho. Já na fase de operação, a previsão é de 100 empregos diretos e 800 indiretos, distribuídos em setores como transporte, alimentação, vigilância e logística portuária, áreas que tendem a se movimentar com o funcionamento pleno da fábrica.
O impacto da nova indústria não se limita à geração direta de vagas. Toda a cadeia da construção civil amapaense, formada por empresas de pequeno e médio porte que hoje dependem de cimento vindo de outros estados, deve sentir o efeito da produção local, com potencial redução de custos logísticos e maior previsibilidade no abastecimento. O prazo estimado para a instalação definitiva da fábrica é de 12 a 18 meses após o início da montagem dos equipamentos, o que projeta a entrada em operação plena para 2027, conforme cronograma apresentado pela empresa e pelo governo estadual.
O que o investimento representa para a diversificação da economia amapaense
O governador Clécio Luís classificou a chegada da fábrica como um fenômeno de atração de investimentos sem precedentes no estado, associando o movimento a indicadores econômicos que, segundo ele, têm ficado acima da média nacional em áreas como geração de emprego e abertura de novas empresas locais. A instalação da Cimento Forte se soma a outros anúncios recentes de diversificação da matriz produtiva amapaense, historicamente concentrada em atividades extrativistas e no setor público como principal empregador.
Para o comércio e para o setor de infraestrutura do Amapá, a expectativa é que a produção local de cimento reduza a dependência histórica de fornecedores de fora do estado, um fator que costuma pressionar os preços da construção civil na região amazônica devido aos custos de transporte fluvial e rodoviário. Enquanto as obras avançam em Santana, moradores e empresários do setor acompanham o cronograma de instalação como um indicativo de que o Amapá começa a atrair investimentos industriais de maior porte, um movimento que, se confirmado nos próximos anos, pode alterar a configuração econômica de um dos estados menos industrializados do país.
Fontes consultadas:
Agência de Notícias do Amapá · Diário do Amapá · Fecomércio-AP



