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Brasil terá novas regras de eficiência para lâmpadas LED a partir de 2028

Resolução do Ministério de Minas e Energia estabelece padrões mínimos para o setor e estima economia capaz de abastecer 14 milhões de residências até 2040.

O Brasil acaba de publicar a primeira regulamentação nacional voltada especificamente para a eficiência energética de lâmpadas e luminárias com tecnologia LED. A norma foi definida pelo Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência Energética, o CGIEE, presidido pelo Ministério de Minas e Energia, e estabelece índices mínimos de desempenho que os produtos vendidos no país precisarão cumprir nos próximos anos. Segundo estimativas técnicas do próprio ministério, a medida pode gerar uma economia acumulada de energia entre 283 e 432 terawatts-hora até 2040, volume equivalente ao consumo de cerca de 14 milhões de residências brasileiras durante o mesmo período. Para o consumidor que troca lâmpadas em casa ou no comércio, a regra levanta uma dúvida natural: o que muda, na prática, na hora de comprar um produto de iluminação, e quando essas mudanças efetivamente começam a valer?

Como funciona o cronograma da nova regulamentação

A resolução publicada pelo CGIEE estabelece duas etapas de exigência, escalonadas no tempo para permitir que fabricantes, importadores e varejistas se adaptem gradualmente. A primeira etapa começa em 1º de janeiro de 2028, quando passa a valer um limite mínimo de eficácia luminosa de 120 lúmens por watt, a unidade usada para medir quanto de luz um produto gera a partir de cada unidade de energia consumida. Já a segunda etapa, com início em 1º de janeiro de 2030, eleva essa exigência para 140 lúmens por watt, tornando o critério ainda mais rigoroso.

O texto também prevê prazos de transição para o esgotamento de estoques. Lâmpadas que não atendam ao novo critério ainda poderão ser fabricadas ou importadas até o último dia de 2027, no caso da primeira etapa. Fabricantes e importadores terão até 30 de junho de 2028 para vender esses produtos, enquanto atacadistas e varejistas contam com um prazo adicional, até a mesma data do ano seguinte, para concluir o giro dos estoques. Na segunda etapa, a lógica se repete com prazos semelhantes: seis meses para fabricantes e importadores, e um ano e meio para o comércio. A regulamentação ainda lista uma série de exceções, como lâmpadas voltadas a equipamentos médicos, ao setor automotivo, à aviação e a aplicações esportivas específicas, que ficam fora do novo critério desde que comprovadas por laboratório credenciado pelo Inmetro.

Por que o governo aposta na eficiência energética como prioridade

A decisão de regulamentar especificamente o setor de LED reflete uma lacuna identificada pelo próprio ministério. Atualmente, a ausência de critérios mais rigorosos no Brasil favorece a entrada de produtos considerados tecnologicamente ultrapassados em mercados internacionais que já adotam padrões mais avançados. Ao fixar índices mínimos, a medida busca modernizar o mercado nacional de iluminação, ampliando a oferta de produtos mais eficientes e fortalecendo a competitividade do setor frente a outros países. Para o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a regulamentação reafirma o compromisso do Brasil com a transição energética e com a inovação tecnológica, ao mesmo tempo em que busca reduzir custos de energia para as famílias brasileiras.

Especialistas em transição energética avaliam a medida como um sinal importante de que a eficiência voltou ao centro do debate sobre energia no país. Segundo Clauber Leite, diretor de Energia Sustentável e Bioeconomia do Instituto E+, a mudança não se resume a um ajuste técnico em um produto específico: trata-se de reduzir desperdício, aliviar a pressão sobre o sistema elétrico nacional e diminuir o gasto das famílias com a conta de luz. Na visão da Associação Brasileira de Fabricantes e Importadores de Produtos de Iluminação, a Abilumi, a regra demorou para ser publicada, mas chega em um momento oportuno, já que o setor já vinha se preparando para um cenário de exigências mais altas, em linha com o que ocorre em mercados como o europeu.

O que muda para quem compra e para quem vende lâmpadas no Brasil

Na prática, o consumidor final não precisará se preocupar imediatamente, já que as exigências só passam a valer a partir de 2028. No entanto, o mercado deve começar a se reorganizar bem antes disso, à medida que fabricantes ajustam suas linhas de produção e desenvolvem versões dos produtos compatíveis com os novos índices. Para o setor de compras públicas, comércio e serviços, a expectativa é que os produtos de maior escala, usados em residências, lojas e empresas, sigam rigorosamente as novas exigências, evitando que as exceções previstas na norma se transformem em brechas para a comercialização de itens menos eficientes.

A regulamentação também define como o desempenho energético de cada lâmpada ou luminária deve ser calculado, e estabelece os procedimentos que fabricantes e importadores precisam seguir para comprovar, por meio de laboratórios credenciados pelo Inmetro, que seus produtos atendem aos parâmetros exigidos. Esse processo de comprovação técnica deve se tornar uma exigência cada vez mais presente na cadeia de produção e importação de iluminação no Brasil, conforme as datas de cada etapa se aproximam. A tendência é que, à medida que 2028 se aproxima, consumidores comecem a notar produtos com selos e informações mais claras sobre eficácia luminosa nas embalagens, o que deve facilitar a comparação na hora da compra.

A nova regulamentação para lâmpadas e luminárias LED se soma a outras iniciativas do governo federal voltadas à modernização do setor energético brasileiro, em um momento em que ondas de calor mais frequentes reforçam a importância de reduzir desperdícios e emissões. Para o consumidor, o efeito mais concreto deve aparecer ao longo da próxima década, com produtos mais duráveis e que consomem menos energia para gerar a mesma quantidade de luz. Já para o setor produtivo, o desafio agora é se adequar aos prazos estabelecidos sem comprometer o abastecimento do mercado nacional durante o período de transição.

Fontes consultadas:
https://www.gov.br/mme/pt-br/assuntos/noticias/brasil-avanca-na-eficiencia-energetica-com-primeira-regulamentacao-para-lampadas-e-luminarias-led
https://timesbrasil.com.br/brasil/mme-define-novas-regras-de-eficiencia-para-lampadas-led-no-brasil/
https://www.acessa.com/politica/2026/06/332669-lampadas-de-led-terao-novas-regras-de-eficiencia-a-partir-de-2028.html
https://eixos.com.br/energia-eletrica/nova-regra-para-lampadas-led-promete-economizar-mais-de-400-twh-ate-2040

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